M. Hermann teve um problema de saúde durante a noite. Telefonou para uma linha de atendimento para que o ajudassem. Do outro lado uma Sra., preparada especialmente para aquela função e com anos de experiência, perguntou-lhe pelo que tinha. Não conseguiu dar um nome ao seu padecimento, pelo que a Sra. com anos de experiência não o conseguiu ajudar. Argumentou que para bom entendedor meia palavra basta. A Sra. preparada especialmente, para aquela função sentiu-se ofendida. Embora não soubesse dar um nome nem à ofensa nem ao que ela tinha despertado em si. Solicitou, novamente, a M. Hermann que encontrasse um nome para o que sentia. Nada. Então a Sra. preparada especialmente para aquela função e com anos de experiência desistiu.
M. Hermann telefonou, então, para outra linha com outras Sras. preparadas, especialmente, para aquela tipo de função e com anos de experiência. Uma voz pré-programada pediu a M. Hermann que caso a sua doença principiasse por uma letra compreendida entre o A e o F premisse a tecla 1, entre uma letra situada entre o G e o L a tecla 2, entre o M e o Q 3, entre o R e V a tecla 4 e 5 para XWYZ.
Como M. Hermann desconhecia o nome para o que tinha não pode premir nenhuma tecla.
A falta de nome fizera com que o problema de M. Hermann fosse impossível de identificar de entre todas as enfermidade conhecidas pela medicina e analisadas em tratados médicos. Era como se não existisse. No dia seguinte, no entanto, o estado de M. Hermann agravou-se, pelo que o problema continuava a existir independentemente dele, ainda, desconhecer o nome da sua doença. Afinal, para existir não é preciso ter nome.
Texto interessante
Nada tendo NOME,revela o íntimo da alma humana doente e carcomida pela deterioração social na desordem em que vivemos.
A necessidade de nominar,quantificar resvala num patético silogismo onde premissas falsas determinam e domesticam as condutas de muitos ,diante da racionalidade de poucos teimosos ,ainda distantes ou não contaminados pelo caos que teima em se estabelecer e assumir de vez nossas vidas num quadro kafkiano sombrio.Ou como diria o poeta “TER NOME NÃO É PRECISO,NAVEGAR É PRECISO !”
by JATeixeira
Santa Catarina -Brasil
Está claro para mim que este compêndio de blogueiros que tudo sabe está sempre certo. É, portanto, puro atrevimento meu citar Shakespeare.
Seria uma rosa menos perfumada se não se chamasse rosa? (WS)